282

Este post é uma celebração e um agradecimento.

Sexta-feira, 24 de agosto, completaram-se 282 dias do lançamento da pesquisa sobre assédio moral e sexual no mercado de comunicação do Grupo de Planejamento.

E por que raios estou celebrando essa data?

Por um motivo muito especial: é porque nesse dia, pela primeira vez, depois de duzentos e oitenta e dois dias do lançamento da pesquisa, o CEO de uma grande agência do mercado dividiu conosco o draft de uma cartilha completa contra o assédio.

*

Quando lançamos a pesquisa, recomendamos 3 ações básicas às agências.

Só três.

Bem básicas.

A primeira: declarar tolerância zero ao assédio no ambiente de trabalho, o que inclui não só escritórios, mas também eventos e festas.

Parece primário, mas acredite: é preciso lembrar as agências disso.

A segunda: explicitar os canais de denúncia.

Parece primário, mas acredite: há agências que não deixam isso fácil de ser encontrado – experimente procurar essa informação nos sites das agências, por exemplo.

E chegamos então à terceira, que tem a ver com esta celebração: produzir e distribuir uma cartilha sobre assédio.

O motivo?

Muito simples: a pesquisa apontou que o assédio frequente cai pela metade em lugares que dão orientação específica sobre assédio, como uma cartilha.

*

Nenhuma das agências brasileiras, até onde tivemos conhecimento, tinha uma cartilha específica sobre assédio moral e sexual.

A cartilha que recebemos do tal CEO da agência ainda vai sofrer ajustes, é verdade.

Mas a Ana Cortat, a Lara Thomazini e eu passamos o fim-de-semana revisando o material, a pedido dele, e posso afirmar: o conteúdo está 90% pronto.

Bem feito.

Cuidadoso.

O CEO da agência pediu que não fosse identificado.

Primeiro, porque não quer que isso seja objeto de marketing – porque não é esse o propósito da cartilha.

Segundo, porque sabe que sua agência também demorou pra fazer a cartilha.

Mas quer saber?

Diferente do resto do mercado, essa agência foi lá e fez.

Teve a humildade de pedir a opinião de gente de fora.

Teve o cuidado de pedir anonimato.

E isso merece celebração.

Mas vou respeitar o pedido de anonimato do CEO.

E agradeço de coração:

– Muito, muito, muito obrigado.

São gestos como esse que fazem a luta valer a pena.

*

Sei que algumas outras (poucas) agências também estão preparando suas cartilhas.

E tenho certeza de que, se tivéssemos uma categoria mais unida e melhor articulada, teríamos uma cartilha única – e ela já estaria pronta faz tempo.

Afinal, temos redatores, diretores de arte, profissionais talentosíssimos nesses lugares.

Mas, enfim, prioridades.

Que seja assim.

Que seja de algum jeito.

Mas que seja.

O que não dá é pra ficar parado.

É como dizemos nas apresentações da pesquisa: você é parte do problema até resolver ser parte da solução.

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